Fé Autêntica e Obediência Verdadeira
Em Mateus 7.21-23, Jesus conclui o Sermão do Monte com uma advertência solene: nem todo o que diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai. O contexto é decisivo. Após ensinar sobre os falsos profetas (7.15-20) e antes da parábola dos dois fundamentos (7.24-27), Cristo estabelece o critério da verdadeira espiritualidade: não é a confissão verbal nem a manifestação de obras extraordinárias que garantem aprovação diante de Deus, mas a obediência sincera. O texto revela que é possível exercer ministério, profetizar, expulsar demônios e realizar milagres, e ainda assim não ter comunhão real com o Senhor. A expressão “Nunca vos conheci” não indica falta de informação divina, mas ausência de relacionamento redentor. Trata-se de uma fé nominal, marcada por exterioridade, mas destituída de submissão à vontade do Pai.
Para a vida cristã, o chamado é ao exame honesto do coração. A ortodoxia verbal precisa ser acompanhada de ortopraxia — prática coerente com a vontade revelada nas Escrituras. A salvação é pela graça mediante a fé (Ef 2.8-9), mas a fé salvadora se evidencia em obediência (Tg 2.17). O texto não ensina salvação por obras, mas denuncia a incoerência de uma profissão de fé sem transformação. O discípulo verdadeiro não vive apenas de experiências espirituais ou atividades religiosas; ele busca conformar sua vida ao senhorio de Cristo. O juízo descrito por Jesus é um alerta pastoral: mais importante do que realizar coisas “para” Cristo é estar verdadeiramente em Cristo, conhecido por Ele e moldado pela Sua vontade.
(31) 996297982
pibponte@pibponte.org